O Projeto
COMO SURGIRAM OS ATLETAS SOLIDÁRIOS?
Num futuro não muito distante, o esporte deverá ser o único vício de toda uma geração. Esse é o lema dos Atletas Solidários, um grupo de amigos que há quatro anos se reúne, uma vez a cada dois meses, com o objetivo de incentivar o esporte e ajudar pessoas carentes e portadoras de necessidades especiais. O nome Atletas Solidários faz jus ao trabalho desenvolvido pelo grupo. Isso porque eles promovem provas de Biathlon e pedestrianismo e cobram dos participantes, como taxa de inscrição, alimentos, remédios, kits de higiene pessoal, fraldas, brinquedos, leite em pó, composto alimentar, entre outros itens que são doados a pessoas carentes e com algum tipo de deficiência. ‘‘A gente tenta pregar a solidariedade no dia da prova. Também incentivamos as pessoas a ajudar não só com doações, mas fazendo algo pelo próximo. Queremos fazer uma legião de pessoas solidárias’’, diz o comerciante Paulo Marques, de 40 anos, que é diretor de prova e um dos fundadores dos Atletas Solidários. O grupo nasceu em razão de problemas de saúde de dois amigos e bi atletas. Marques parou de competir por causa de um problema renal. Já o amigo Valmir Azevedo deixou as competições por conta de um descolamento de retina. ‘‘Como eles não podiam mais disputar as provas, resolveram se unir para ajudar outras pessoas’’, conta a publicitária Simoni Ramos, que ajudou a elaborar o projeto do grupo. Assim como Marques, Azevedo e Simoni, o vendedor Luiz Avelino, de 43 anos, também faz parte do grupo organizador, junto com outras cinco pessoas.
O começo
A primeira prova de Biathlon dos Atletas Solidários foi realizada em julho de 2003, na Ponta da Praia, e contou com 120 atletas inscritos. Mas devido ao mau tempo, somente 80 participaram do evento. Na ocasião, foram arrecadados 400 agasalhos, doados ao Fundo Social de Solidariedade de Santos (FSS). ‘‘A prova só seria realizada aquela vez. Mas como vimos que deu certo, resolvemos continuar’’, disse a publicitária. ‘‘Nossa meta era fazer uma prova por mês para ajudar a população carente. Uma forma de retribuir tudo de bom que recebemos de Deus ao longo de nossas vidas’’. Mas a partir da quarta etapa, o evento começou a crescer, atingindo a marca de 500 atletas participantes. Em uma única etapa, foram arrecadadas 4,5 toneladas de alimentos. ‘‘Começamos a perceber que precisávamos de mais ajuda. Estava ficando cada vez mais difícil organizar a prova, pois não cobrávamos a inscrição em dinheiro, mas precisávamos dos recursos para a premiação’’, diz Simoni. Por falta de recursos, começaram a fazer as competições a cada dois meses. O grupo foi atrás de parcerias, e conseguiu alguns patrocinadores, que ajudam no que eles precisam. ‘‘Sem a ajuda recebida dos patrocinadores, não teríamos como continuar. Eles são de fundamental importância’’. Hoje, existe um circuito, com quatro etapas do Biathlon Solidário, duas realizadas em Santos e duas em São Vicente. A próxima etapa será realizada no dia 25 e irá arrecadar cestas básicas, que serão entregues as famílias carentes e ao FSS.
Competitiva
Marques conta que, como as inscrições das etapas de Biathlon, triatlo e pedestrianismo geralmente são muito caras, os atletas usavam a prova solidária como treinamento. ‘‘Mas hoje, passou a ser uma das provas mas difíceis, devido ao alto nível técnico dos participantes’’. A corredora Sandra dos Santos, de 31 anos, foi a vencedora em sua categoria da 1ªprova de pedestrianismo, realizada 2005. Começou como atleta, para ajudar, se identificou com a causa e resolveu ser voluntária. ‘‘Hoje vários amigos meus também participam’’, conta Sandra.
Trabalho do grupo envolveu o jogador de futebol Deivid
Em função de uma distrofia muscular progressiva, aos 7 anos, Antônio Rafael Gomes de Mendonça parou de andar. Como a família não tinha condições financeiras para comprar uma cadeira de rodas adaptada, durante 10 anos ele ficou aguardando a ajuda de terceiros para conseguir o equipamento. Em setembro de 2005, membros do grupo, que já ajudavam o garoto com doações, resolveram organizar uma corrida de 8 quilômetros com o objetivo de levantar fundos para a compra da cadeira adaptada para Rafael. Cobraram R$ 20,00 de taxa inscrição, além de latas de leite em pó, composto alimentar e alimentos. Mas durante a corrida, o jogador de futebol Deivid, na época atleta do Santos Futebol Clube, soube da campanha e ofereceu a cadeira. ‘‘Então, resolvemos dividir o valor arrecadado com outras duas crianças, também portadoras de deficiência’’. A família de Rafael diz que é muito agradecida aos Atletas Solidários. ‘‘Fiquei quase um ano sem precisar comprar leite em pó’’, disse a mãe do garoto, a costureira Maria de Fátima Gomes de Mendonça, que gastava cerca de R$ 600,00 por mês só com a compra do produto.
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Natal Nas etapas de Biathlon do mês de dezembro, são arrecadados brinquedos durante as provas. Só no ano passado, foram doados
Pessoas com necessidades especiais também participam
As competições esportivas promovidas pelos Atletas Solidários também visam a inclusão dos portadores de necessidades especiais ao esporte. Em média, cerca de 60 deficientes participando eventos. O grupo foi o primeiro a incluir as pessoas com síndrome de down na prova, a maior parte deles alunos da Secretaria de Educação de Praia Grande. As etapas do Biathlon também contam com as categorias de amputados (com e sem prótese), cadeirantes, além de deficientes visuais e múltiplos. As crianças são outra prioridade do grupo. Tanto que houve um aumento grande na categoria infantil. O professor de Educação Física Jorge Paulo Teixeira de Jesus, de 44 anos, também conhecido como Pelé, foi o responsável pela participação de crianças carentes, moradoras de Bertioga, na prova. E, desde que começou, em 2004, descobriu alguns talentos infantis daquela cidade. ‘‘Dos 50 que trouxe para participar da competição, cerca de 20 se destacaram. Têm grande potencial’’. Segundo ele, quando a criança não tem condições financeiras, não é cobrada a taxa de inscrição.
Perfil
Nome: Atletas Solidários O que faz: promove eventos esportivos com a finalidade de arrecadar doações para pessoas carentes e com necessidades especiais, além de promover a inclusão social de deficientes físicos, visuais e mentais ao esporte. |